
Uma das coisas que me levou ao Yoga –– e, por esse motivo, eu nunca mais saí, foi o fato de entender que nem tudo pode ser racionalizado. Algumas tensões precisam ser trabalhadas no corpo. Ou, como seres complexos que somos, algumas racionalizações só serão possíveis depois que o corpo entender que ele não pode ficar parado em um momento, ou “travado”.
Essa percepção não é exclusiva do Yoga. Já tive insights em mergulhos na água. Já tive um grande insight ao pular de um trampolim em uma aula no Centro de Práticas esportivas da USP.
A diferença que o Yoga tem de outros esportes, no entanto, é o fato de pertencer a um sistema. Ao se dedicar à filosofia do Yoga, à meditação, aos pranaymas, às àsanas, é como se o processo desse insight não fosse interrompido. Na natação, por exemplo, eu não entendia aquele sistema como uma prática filosófica. O insight se perdia, junto com o cloro retirado no chuveiro.
A Yoga tem um objetivo tradicional, que é chegar ao samadhi — eliminar as pertubações da mente. Uma espécie de homeostase, equilíbrio, que busca a cessação das perturbações da mente por um sistema não-dicotômico em que o corpo não é apenas um caminho, ele está integrado: ao mexer nele, é possível “regular a mente”, porque ele é a mente.
O objetivo de uma ásana não é a flexibilidade — é o treino para que se entenda a possibilidade que se tem para a cessação das perturbações. Por isso, um dos pilares do Yoga é a permanência, a estabilidade.
A Yoga me ajudou em percepções, me ajuda a liberar o meu potencial criativo, me ajuda a superar frustrações. Escolhi há 20 anos, quando comecei a estudar para o vestibular –e, entre idas e vindas — sempre voltei.
