Meu professor sempre destacava a importância de não alopatizar o Yoga, no sentido de tratá-la como medicamento, como solução para situações específicas.
Até porque os efeitos das práticas podem ter caminhos muito únicos, dependendo da história de vida e de emoções associadas a determinadas partes do corpo.
Nesse sentido, essa é uma das ásanas preferidas. Bala significa criança, jovem, ou embrião em sânscrito. Ásana, como sabemos, significa postura. Portanto, balásana indica “postura da criança” ou “postura do embrião”.
Batizei de postura do desespero porque ela realmente contribui para que se cesse as perturbações.
No entanto, não faço essa postura “sozinha”. Sinto o seu efeito mais aproveitado em uma sequência de asánas de aproximadamente dez minutos. Se não estiver familarizado com ásanas, uma série de alongamentos simples com uma permanência mínima de três ciclos respiratórios (inspiração e expiração) vão dar uma preparação para essa postura.
Gosto de fazer essa postura ao final de uma sequência de asánas ou ao final de uma invertida sobre a cabeça.
Considero uma postura intermediária entre asánas mais dinâmicas (que requerem mais uso da musculatura) e posturas meditativas.
Também trata-se de uma postura que se aproveita da gravidade; essas posturas facilitam a entrega e o relaxamento da musculatura, contribuindo para o alívio das tensões.
Gosto particularmente do fato da cabeça se encostar no chão e a exigência muscular ser baixa, o que facilita a permanência. Há uma entrega nessa postura — um “cansei” — que, pra mim, fica em um estágio intermediário entre o deitar e o meditar.
Faço, às vezes, no fim da tarde ou quando me sinto angustiada com algum prazo ou alguma frustração durante o dia. Esse apoio da testa no chão, pra mim, é como se fosse um suporte para o peso e ruminações que carregamos diariamente.
Experimente.
Bibliografia:
Kaminoff, Leslie. Anatomia do Yoga. Editora Manole. São Paulo, 2008.
